
Desde miúda que sempre quis ter o meu próprio jardim, um jardim repleto de flores. Enquanto em pequena eram os narcisos e umas florezinhas azuis que nascem como ervas daninha que faziam as minhas delícias, agora, depois de um pouco mais crescida são os ranúnculos, as peónias e as rosas inglesas as flores que mais gosto. São tão belas e delicadas, todas elas desenhadas por um Criador com uma imaginação e noção de beleza incapaz de ser compreendida pela minha mente humana. Ele criou-as para mim, para que eu ao observá-las e admirá-las pudesse ver o seu poder e o Seu amor infinito e adorá-Lo. Não é tão bonito? Eu sei que depois da entrada do pecado a natureza perdeu muita da sua beleza, mas mesmo assim Deus deixou-nos coisas belas como as flores para não nos esquecermos da Sua perfeição e do Seu cuidado para connosco. Ás vezes tento imaginar como teriam sido estas flores no Éden, será possível mais beleza? Realmente, sou muito limitada. Mal posso esperar para ver os jardins da Nova Jerusalém, quão belos, quão perfeitos serão!

Infelizmente não tenho espaço para ter o meu próprio jardim onde plantar as minhas flores, talvez um dia possa ter um, e se não tiver nesta terra com certeza terei muitos jardins cheios de flores para tomar conta no céu. Por essa razão resolvi arranjar um vaso para a minha varanda para poder ter umas flores. Consegui encontrar uns "rebentos" de ranúnculos, comprei terra e no dia 14 de Fevereiro lá me aventurei a plantar os ditos ranúnculos. Fui regando quando necessário e estava ansiosa para que começassem a brotar. Entretanto a persiana do meu quarto estragou-se, não conseguia aceder ao vaso de maneira nenhuma.. o que vale é que ia chovendo e eles iam sendo regados assim, mas ficava triste por não poder ver se estavam a crescer ou não. Só ontem tive maneira de tirar o vaso, esteve mais de um mês sem eu o ver ou poder cuidar da planta. Fiquei surpresa, estavam 4 plantinhas de fora, uma verde mas com algumas pontinhas das folhas a ficar amarelas, outra já mais amarelada que verde e as outras duas completamente secas. Reparei que as que estavam completamente secas também estavam mais superficiais, não devo posto ter posto a semente suficientemente funda. Além disso, estas últimas semanas tem estado bastante sol, não tem chovido, nem sei como as outras duas sobreviveram.
Com as plantas e a natureza em geral podemos tirar muitas ilustrações para a nossa vida espiritual. Não é por acaso que Jesus a usava tantas vezes para ilustrar as suas parábolas. Consigo identificar-me com cada uma das minhas plantinhas. Fazem-me lembrar um bocadinho a parábola do semeador.
Também eu sem acesso à Água da Vida fico sem vida, seca, sem vitalidade. Nas plantas é um processo gradual, as folhas vão ficando amareladas e a pouco e pouco vai murchando, tal e qual como nós sem Deus. Qualquer pessoa sem Deus, seja uns dias, ou umas horas, as consequências dessa distância vão-se revelando, tal como as plantinhas sem água, as folhas começam por mudar de cor e a mirrar, depois vão ficando mais e mais secas até que murcham completamente. Precisamos de recorrer à Fonte da Vida a cada dia, ser bem regados com uma porção do Espírito de Deus. É essencial à sobrevivência. Esta é uma das ilustrações que pude tirar. Outra tem que ver com a profundidade das raízes. As plantas que estão mais fundas na terra, mais enraizadas, o processo é mais lento, é mais difícil murcharem com tanta facilidade. As mais superficiais basta uns dias sem água para não se encontrar qualquer tipo de vida nelas. Que tipo de planta sou eu? Será que as minhas raízes estão o suficientemente profundas para que, caso venham dificuldades, seja capaz de continuar verde? Ou será que logo ao primeiro dia sem água murcho e perco a vitalidade?
Que eu possa ser uma planta com as minhas raízes bem fundas no Senhor e que a cada dia busque ser regada pelo Seu Espírito, é a minha oração.